Dono de funerária na fronteira é baleado e aponta a própria filha como mandante
Atentado ocorreu em Pedro Juan Caballero. Conflito pelo controle administrativo de negócios da família teria motivado o ataque contra empresário de 61 anos.
Pedro Juan Caballero / Ponta Porã — Uma violenta disputa pelo controle patrimonial e administrativo abalou uma família que atua no setor funerário na fronteira entre o Brasil e o Paraguai neste fim de semana. A administradora da funerária Pax Conesul, Lucía Morel Alves, foi presa pela Polícia Nacional do Paraguai sob a acusação de ser a mandante da tentativa de homicídio contra o próprio pai, o empresário Marcelino Morel Cabrera, de 61 anos.
A prisão preventiva ocorreu na madrugada deste domingo (6), momentos após a fachada da funerária da família — localizada no Bairro Mariscal Estigarribia, em Pedro Juan Caballero (fronteira com Ponta Porã/MS) — ser alvo de um novo atentado a tiros.
A emboscada contra o empresário
O crime contra Marcelino ocorreu na manhã de sábado (5). O empresário retornava de uma viagem a Ciudad del Este e chegava à sua residência, no Bairro Jardín Aurora, quando foi surpreendido por um atirador que pilotava uma motocicleta.
Ao notar a aproximação, a vítima tentou fugir para o interior da casa, mas tropeçou, caiu e foi atingida por um disparo na região lombar/quadril. Socorrido às pressas por um sobrinho e encaminhado a uma clínica particular, o empresário passou por intervenção cirúrgica e seu estado de saúde é considerado estável.
Ainda no local do socorro, Marcelino revelou a parentes que a própria filha seria a mandante da execução frustrada. O estopim recente teria sido uma exigência do empresário para que ela devolvesse um veículo pertencente à empresa.
Ataque à sede da Pax Conesul e prisão
Horas após o atentado contra o fundador, na madrugada de domingo, a sede da Pax Conesul voltou a ser atacada. Por volta de 1h20, um motociclista efetuou diversos disparos de pistola contra o prédio da funerária e fugiu em seguida. A perícia técnica recolheu sete cápsulas calibre 9mm deflagradas no local.
Durante as diligências no entorno do estabelecimento, os agentes localizaram Lucía Morel Alves e cumpriram a ordem de prisão judicial já emitida contra ela, encaminhando-a ao Departamento de Investigações.
Disputa por bens e histórico de ameaças
De acordo com relatos de pessoas próximas à família, o caso é reflexo de uma desgastante e prolongada disputa judicial e extrajudicial pela transferência de ativos e pelo comando da funerária e de outros empreendimentos da família, como um lava-jato gerido pela suspeita.
Esta não foi a primeira vez que a infraestrutura da Pax Conesul virou alvo de violência. Em maio deste ano, o mesmo prédio já havia sido alvejado por 13 tiros em circunstâncias semelhantes.
O Ministério Público paraguaio segue à frente das investigações para apurar os executores das duas ações armadas e detalhar a extensão da autoria intelectual no inquérito.

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